
21/11 – O Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil é lembrado neste domingo (23). O tumor infantojuvenil é hoje a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos no Brasil. Apesar da gravidade, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), quando diagnosticado precocemente e tratado de forma adequada, as chances de cura podem alcançar 80%.
Para que o diagnóstico ocorra de forma precoce, pais e responsáveis precisam reconhecer os principais sinais de alerta. Entre eles estão febre persistente, dores ósseas, fadiga, palidez e hematomas. Outros sintomas incluem perda de peso inexplicável, inchaços ou caroços no corpo (como no pescoço, nas axilas e no abdômen), além de dores de cabeça persistentes com vômitos e alterações na visão.
“A maioria dos sintomas não está relacionada especificamente ao câncer e pode estar ligada com diversas outras doenças. Por outro lado, devemos desconfiar sempre que não houver uma causa que justifique os sintomas ou quando eles persistirem por muito tempo”, explica a hematologista pediátrica Fernanda Catta-Preta, do Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), referência Nacional em Terapia Celular Avançada e Onco-Hematologia e hospital da Rede Américas, segunda maior rede de hospitais privados do Brasil. A médica reforça a importância de ouvir e levar a sério as queixas das crianças.
Foi o que fez Juliane Rodrigues, 38 anos, mãe de Enzo. Em 2019, quando o menino tinha apenas 2 anos, começou a reclamar de dores na barriga. Julia o levou imediatamente à pediatra e, mesmo sem alterações no exame físico, insistiu na investigação com os profissionais de saúde. Os exames de imagem revelaram um tumor.
“O único sinal foi a queixa do Enzo. Ele não tinha nenhum outro sintoma, nem o abdômen volumoso. Até a médica comentou: ‘Mãe, foi Deus mesmo que fez você insistir, porque até no exame físico era imperceptível’”, lembra Juliane.
Enzo foi diagnosticado no Setor de Oncologia Pediátrica do CHN com tumor de Wilms, um tipo de câncer renal que afeta principalmente as crianças.
Câncer infantojuvenil mais comum é a Leucemia, mas incidência varia com idade da criança
Os tumores mais comuns na infância e adolescência são as leucemias (que atingem a medula óssea), os tumores do sistema nervoso central e os linfomas (do sistema linfático).
“O câncer mais frequente entre crianças e adolescentes é a leucemia, sem dúvida. Mas há diferenças entre faixas etárias. Nos menores de 5 anos, depois da leucemia, os carcinomas mais comuns são os tumores abdominais”, explica Catta-Preta.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), entre 2023 e 2025, são esperados 7.930 casos de câncer infantojuvenil por ano no país, em pacientes de 0 a 19 anos, o que representa um risco estimado de 134,8 casos por milhão de crianças nessa faixa etária.
Quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maiores são as chances de cura. Pais e responsáveis não devem ter medo de investigar.
“Não é preciso confirmar o diagnóstico de câncer para encaminhar a criança ao especialista. É melhor afastar a doença e continuar investigando outras causas do que adiar o diagnóstico e o início do tratamento”, ressalta a hematologista.
Graças ao diagnóstico precoce, Enzo foi operado para a retirada parcial do rim direito e iniciou quimioterapia logo após o diagnóstico. Em 2020, teve uma recaída com células tumorais no pulmão iniciou a quimioterapia novamente e, por fim, passou por transplante de medula óssea. Hoje, aos 9 anos, vive em Itaboraí, onde leva uma rotina cheia de brincadeiras e continua o acompanhamento médico.
Juliane celebra a recuperação do filho e deixa um recado para outros pais: “Precisamos prestar atenção a qualquer mudança de comportamento ou queixa dos nossos filhos, porque nem sempre é ‘manha’. Bastou uma queixa do Enzo para que eu procurasse ajuda médica”, finaliza.

